Esta página tem por finalidade colocar à disposição dos meus alunos da Escola Teológica Rev. Celso Lopes textos referentes à matéria título do blog

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O CALENDÁRIO - Texto Complementar


I. Introdução

Recentemente, chegamos ao ano 2000. Será que aquele ano foi o primeiro do século XXI? Ou será que ele é o último do século XX? Por que dezembro não é o décimo mês do ano como parece indicar o seu próprio nome? E por que novembro não é o nono?
Estas e outras perguntas serão respondidas ao longo desse trabalho. Conheceremos como eram os diversos calendários que regeram distintas fases da história da humanidade. Saberemos, enfim, qual é a origem do calendário. E, principalmente, o que é um calendário.
Desde que o homem tomou consciência do seu passado e de sua história, fez-se necessário um sistema de referência mediante o qual se pudesse estabelecer uma ordem para contagem do tempo.
Para se instituir um sistema com tal finalidade é preciso que se disponha de algum fenômeno físico com um comportamento cíclico, que nos permita agrupar os acontecimentos em episódios, marcando-os dentro do ciclo correspondente e lhes atribuindo um número de ordem.
Neste sentido, o homem logo descobriu três fenômenos desse tipo os quais, desde o alvorecer da humanidade, não puderam passar despercebidos:
1. a sucessão dos dias e das noites;
2. as distintas fases da lua;
3. a seqüência das estações do ano.

Do primeiro surgiu a unidade de tempo básica e a mais comum para todos os povos que habitaram a terra: o dia.
As distintas fases da lua tiveram uma importância vital para a sociedade primitiva cuja atividade principal era a caça. Saber o tempo que levaria para chegar a lua cheia, por exemplo, era decisivo para preparar cuidadosamente uma boa excursão de caça que permitisse obter mais peças com o menor risco possível. Da mesma forma, a observação da cambiante imagem do nosso satélite oferecia o sistema mais natural para contabilizar a duração da gestação, ou do ciclo menstrual da mulher. Assim, do cômputo desses eventos originaram se o mês e o ano lunar.
O Sol também apresenta um comportamento que se repete de ciclo em ciclo, ainda que a sua duração seja bem mais longa. Basta observar o seu nascer e o seu ocaso durante vários dias consecutivos para se verificar que, a cada vez que nasce ou se põe, ele o faz em lugares diferentes, deslocando-se sempre na mesma direção — norte ou sul — até que chega um dia que tal direção se inverte. Nessa ocasião, ele passa a nascer e a se por nos pontos anteriormente ocupados, percorrendo o caminho inverso — sul ou norte.
Notadamente, desde o solstício de Inverno — 21 de dezembro (Observe-se que as datas se referem ao hemisfério Norte, uma vez que as fontes deste trabalho são de origem norte-americana) — até o de Verão — 21 de junho — os pores-do-sol têm lugar, nas latitudes do hemisfério Norte, cada vez mais para noroeste. Desde essa data até chegar novamente o 21 de dezembro, os ocasos ocorrerão cada dia mais para sudoeste. Também, a altura máxima do Sol no céu é variável, sendo mais baixa no Inverno do que no Verão. Fato semelhante ocorre com a parte iluminada do dia, que é mais longa do que as noites no Verão, e mais curta, no Inverno.
Todas estas mudanças são acompanhadas por outras que têm lugar no terreno, no clima, nas florestas, nos animais e em diversos outros aspectos da vida do nosso planeta. Contudo, tais mudanças não acontecem de maneira arbitrária, mas, sim, estão encadeadas de forma tão evidente que as suas correlações tiveram o poder de chamar a atenção do homem primitivo.
Identificar estas associações e predizer quando teriam lugar as mudanças foi algo fundamental para aquela sociedade inicialmente coletora e, mais ainda, para a sociedade agrícola que depois se formou. Saber quando lavrar, quando semear, quando colher e quando estocar para sobreviver durante as intempéries foi crucial para os primeiros ajuntamentos humanos. De tais observações surgiu a divisão do tempo em estações, e da repetição da seqüência das estações, o ano solar.
Já temos, portanto, as unidades sobre as quais podemos construir um calendário: o dia, o mês e o ano. Estas unidades são marcadas pelas mudanças da Lua e do Sol.

II. O Dia Solar
Vimos acima, em linhas gerais, os fenômenos em que se baseiam os calendários: o dia, o mês lunar e a sucessão das estações. O dia como unidade de tempo está vinculado ao movimento de rotação da Terra ao redor de seu eixo, cuja duração — igual a do giro da abóbada celeste, que é o que percebemos — pode ser calculada com uma precisão suficiente a partir das observações.
É fácil contar as voltas que um objeto dá sobre si mesmo, se colocarmos duas marcas, uma no próprio objeto e a outra exterior a ele. A partir daí, observa-se as vezes que uma dessas marcas passa na frente da outra. É isso o que se faz para contar os dias. Naturalmente, o termo “marca” aqui usado está no seu sentido amplo, significando qualquer coisa que nos permita discernir quando acaba um giro e começa o outro.
Para contar as voltas que a terra dá, tomamos como primeira marca um meridiano, que nada mais é do que uma semicircunferência sobre a superfície terrestre indo perpendicularmente ao equador do polo Norte ao polo Sul. A segunda marca é o Sol. Definidas ambas as referências, chamamos dia ao intervalo de tempo que transcorre entre duas passagens sucessivas do Sol pelo meridiano eleito. Na realidade, e por razões que veremos mais adiante, esta definição corresponde ao que se conhece como dia solar verdadeiro.
O dia solar verdadeiro, contudo, apresenta um grave inconveniente para ser usado como unidade temporal: a sua duração não é constante! Para que uma unidade de qualquer magnitude sirva como padrão é imprescindível que o seu valor seja precisamente definido, isto é, que não varie. Assim, o dia solar verdadeiro não cumpre esta condição.
Como a terra não descreve uma circunferência em torno do Sol, mas, sim, uma elipse, bem como o Sol não ocupa o centro, posto que se acha ancorado num ponto denominado foco, não a percorrendo com velocidade constante, o tempo entre duas passagens sucessivas do Sol pelo meridiano de referência varia de um dia para o outro. Esta dificuldade foi, entretanto, contornada, definindo-se um dia solar médio.
Para não descermos a detalhes desnecessários, acrescentamos apenas, ainda que correndo o risco de simplificarmos demais, que o dia solar médio se define como o valor médio do dia solar verdadeiro no período de um ano. Para calcular a sua duração, mede-se o tempo total que a terra leva para dar uma volta completa em torno do Sol. Divide-se esta cifra pelo número de dias solares verdadeiros contidos no dito período. O quociente obtido é o tempo do dia solar médio.
Desta forma, ainda que o dia solar médio seja às vezes mais curto e às vezes mais longo que o verdadeiro, o número dos dias ao cabo do ano será sempre o mesmo. Esta apreciação é fundamental para que o dia solar médio — inventado por nós — tenha sentido do ponto de vista do fenômeno astronômico que lhe serve de base. E como nós o definimos de forma que a sua duração seja constante, podemos, agora, usá-lo como unidade de tempo.
Todavia, o dia serve somente para datar acontecimentos que ocorreram num passado próximo, ou que acontecerão num futuro visível. Evidentemente, essa medida perde sua utilidade à medida que desejamos nos referir a datas que tenham acontecido num tempo muito distante.


III. O Ano Trópico
Como observamos, o dia é uma unidade totalmente inadequada para se registrar datas históricas. O seu emprego nos penalizaria com o manejo de cifras enormes e nos obrigaria a ter que atualizá-las a cada dia. Para realizar esta tarefa de maneira mais eficaz, é necessário que lancemos mão de uma outra unidade baseada no movimento de translação da terra ao redor do Sol: o ano trópico.
O ano trópico se define como o intervalo de tempo transcorrido entre duas passagens consecutivas do Sol pelo ponto do equinócio de Primavera. A palavra “equinócio” é um termo latino que significa “igual a noite”, porque, quando o sol se acha neste ponto, a parte iluminada do dia e a noite têm a mesma duração. A partir do equinócio de Primavera e à medida que avançamos para o Verão, a parte iluminada do dia vai crescendo até chegar ao solstício de Verão, a partir do qual começa a minguar até se fazer igual à noite no equinócio de Outono.
À continuação, o dia vai diminuindo até que a noite atinja a sua máxima duração no solstício de Inverno (21 de junho no hemisfério Sul). A partir daí, a parte diurna volta a crescer, ainda que se mantendo mais curta que a noite, até chegar de novo ao ponto do equinócio de Primavera, onde outra vez se igualam.
O intervalo de tempo que leva para ocorrer o ciclo completo acima descrito é o que se chama de ano trópico e eqüivale a 365,2444 dias solares médios. Tal cifra representa 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos. Assim o ano trópico serve de base para os calendários solares, categoria a que pertence, hoje, o calendário da maioria dos países.
Desta maneira, um calendário não é outra coisa do que um sistema de se contar longos períodos de tempo. A sua elaboração exige, de pronto, a satisfação de duas condições básicas:
1. A duração média do ano civil durante vários anos, a que chamamos de ano promédio, deve se aproximar o mais possível da duração do ano astronômico que lhe serve de base. No caso, a do ano trópico.
2. O ano civil deve conter um número inteiro de dias, pois, caso contrário, poderia ocorrer a situação de um ano começar à tarde, o seguinte pela manhã e o terceiro à noite, o que não seria muito sério.

Como o ano trópico não contém, segundo vimos, um número inteiro de dias solares médios, obedecer simultaneamente a ambas as condições torna-se, na prática, impossível de se cumprir.
Com efeito, como o ano não é um múltiplo do dia, como é o quilômetro do metro, ou o litro do centímetro cúbico, buscar que o ano civil conste de um número exato de dias, exige que se arredonde a sua duração. Isso introduz um desajuste entre a sua duração real e a sua duração estimada que, ao longo do tempo, terá como conseqüência o descumprimento da primeira condição.
Para remediar essa situação, é preciso ir introduzindo correções que tendam, senão a evitar, pelo menos, a minimizar a defasagem que se origina. A partir desse tipo de correção encontramos todo o itinerário que nos leva até o nosso calendário atual, uma caminhada que não foi ao longo dos séculos uma trilha de rosas.

IV. O Primitivo Calendário Romano
Retrocedendo no tempo, vamos descobrir a origem do nosso calendário atual na antiga Roma, durante o reinado de Numa Pompílio — 715 a 672 a. C. — o segundo dos reis legendários. Homem pacífico por excelência, foi eleito pelo Senado como sucessor de Rômulo, graças à fama de que gozava de possuir a virtude da sabedoria. A esse monarca é atribuída a lenda da organização religiosa de Roma, bem como da criação de colégios religiosos no império. Além disso e o mais importante para esse estudo, foi ele quem primeiro adaptou o antigo calendário romano, o de Rômulo, que era lunar, ao ciclo solar das estações.
Este calendário agrupava o ano em dez meses de 30 e 31 dias, com um total de 304 dias. Os meses — de meteri = medir — denominavam-se e ordenavam-se de acordo com a seguinte tabela:

Primitivo Calendário Lunar Romano:

1. MARTII março 31 dias..... 6. SEXTILIS sexto 30 dias
2. APRILIS abril 30 dias.... 7. SEPTEMBER setembro 30 dias
3. MAIUS maio 31 dias....... 8. OCTOBER outubro 31 dias
4. JUNIUS junho 30 dias..... 9. NOVEMBER novembro 30 dias
5. QUINTILIS quinto 31 dias..10. DECEMBER dezembro 30 dias


No calendário de Rômulo não havia nenhum mecanismo de correção e não existia ciclo; o ano promédio era de 304 dias, havendo, portanto, um erro de - 61,2422 dias.
O calendário de Rômulo necessitava, pois, de uma reforma, e Numa levou-a a cabo. As razões dessa reforma são explicadas a seguir. O tempo que leva para a Lua passar por duas fases sucessivas homônimas, por exemplo, de lua nova a lua nova, denomina-se mês sinódico e corresponde a cerca de 29,5 dias solares médios.
Assim, o ano de Rômulo, de 304 dias, era longo para 10 meses lunares de 295 dias e, ao mesmo tempo, muito curto em relação à estações (ano trópico = 365 dias). Doze meses lunares duram aproximadamente 354 dias, correspondente a 12 x 29,5, enquanto 13 meses corresponderiam a 383. Em vista disso, Numa alongou para 354 dias, aproximando-se bastante do ano trópico, do qual diferia apenas 11 dias.
A reforma de Numa baseou-se em dois pontos:
1. Acrescentou ao ano dois novos meses, JANUARIUS – janeiro e FEBRUARIUS – fevereiro, colocando-os à continuação dos já estabelecidos.
2. Modificou a distribuição dos dias nos meses.

Em princípio, todos os meses do calendário de Numa tinham um número ímpar de dias: quatro com 31 dias — março, maio, quinto e outubro — e os demais com 29 dias, exceto fevereiro que ficou com 27 dias. Isso se devia a uma peculiaridade desse calendário a qual dividia os dias em dois grupos: os dias fastis e os dias nefastis. Os dias fastis ocupavam os lugares ímpares e neles era permitido religiosamente se ocupar dos negócios e da distribuição da justiça. Os dias nefastis eram os dias pares, os quais eram sacrílegos, por serem dedicados aos deuses. Os romanos lhes atribuíam má sorte e não queriam saber deles.
E mais, o cômputo total dos dias destes doze meses era de 354 dias, cifra par e que não agradava a Numa. Desta maneira, decidiu o monarca alterar o número de dias de fevereiro acrescentando lhe mais um dia, chegando-se ao ano de 355 dias, distribuídos como na tabela seguinte:

Calendário de Numa

No Calendário de Numa havia um sistema de correção, pela introdução do mês Macedonius, alternativamente com 22 e 23 dias, ano sim e ano não; o ciclo era de 4 anos — 355, 377, 355 e 378 dias; ano promédio de 366,25 dias, com um erro aproximado de + 1 dia.
Como a duração do ano era de aproximadamente 10 dias mais curto que o ano solar, provocando uma grande diferença no curso de dois anos, o monarca decidiu intercalar, entre os dias 23 e 24 de fevereiro, um mês extra a cada dois anos, denominando-o de mês Macedonius que contava com 22 ou 23 dias alternativamente.
Com essa disposição, formava-se um ciclo de quatro anos, com uma duração promédia de 366,25 dias, corrigindo-se a situação anterior, embora excedendo de um dia o ano trópico.

V. A Reforma dos Decênviros

Em 450 a. C. , com a finalidade de corrigir a defasagem do Calendário de Numa, os Decênviros — grupo de dez magistrados que constituíam os tribunais permanentes encarregados de intervir na constituição das leis — adotaram um dos ciclos usados pelos gregos no cômputo do tempo: a octoeterida — octo = oito e etos = ano — do astrônomo Cleóstrato de Tecnedos.
Os romanos ao fazerem esta adaptação, estabeleceram que em cada terceiro período de oito anos, em vez de quatro Macedonius, intercalavam-se três de 22 dias. Estabelecia-se, assim, um ciclo de 24 anos dividido em três períodos de oito. O número total de dias de cada um dos dois períodos iniciais era de 2930 dias — 355+377+355+378+355+377+355+378 — o que totalizava 5860 dias. O terceiro período constava de cinco anos de 355 dias cada e três anos de 377 dias cada, os quais somavam 2906 dias. Assim, vinte e quatro anos totalizavam 5860 + 2906 = 8766 dias, dando como resultado um ano promédio de 365,25 o que se constituía num erro muito pequeno, isto é, apenas 11 minutos e 14 segundos em relação ao ano trópico.
Todavia, magistrados encarregados de dar ao mês Macedonius o número de dias necessários para assegurar a concordância do ano civil com o ano verdadeiro, começaram a fazê-lo de maneira arbitrária, atribuindo lhe os dias conforme suas conveniências, seus interesses, ou os interesses de seus amigos, para favorecer eleições ou, até, o pagamento de dívidas.
Estes abusos chegaram a tal ponto que, no tempo de Júlio César, havia uma defasagem de quase três meses entre o equinócio civil e o astronômico. Nesta situação, os meses do inverno correspondiam ao outono, e estes ao verão, estabelecendo-se uma confusão total.


VI. A Reforma Juliana
O calendário estabelecido pelos Decênviros esteve vigente até 46 a. C. Naquele ano, Júlio César realizou uma série de reformas no Estado, entre as quais a do calendário.
Para esta tarefa, buscou assessoria do matemático e astrônomo Sosígenes, o qual começou por reparar o erro acumulado, aumentando em 67 dias a duração do ano 46 a. C. pela intercalação de dois meses ao final de novembro, um de 29 e outro de 31 dias, mais 7 dias contados à parte. Como àquele ano correspondia um mês Macedônio de 23 dias, no total o ano ficou com 445 dias, pelo que foi denominado de o ano da confusão.
Tentando buscar com essas medidas a concordância do ano civil com as estações, Sosígenes ditou as seguintes regras naquilo a que veio se chamar de “Reforma Juliana”. Tais medidas foram as seguintes:
• Fixou-se o dia 1 de janeiro como o primeiro dia do ano e o 25 de março como o equinócio de Primavera.
• A duração do ano civil foi estabelecida em 365 dias solares médios no transcurso de três anos consecutivos.
• Cada quarto ano teria a duração de 366 dias.
• Suprimiu-se o mês Macedônio, agregando se os 10 dias correspondentes da seguinte maneira: dois aos meses de janeiro, sexto e dezembro que passaram a ter 31 dias; um dia aos meses de abril, junho, setembro e novembro os quais passaram a ter 30 dias.
• A cada quatro anos passava-se a intercalar um dia entre o 23 e 24 de fevereiro. Desta forma, os anos de 365 dias denominavam-se anos comuns, e os anos de 366 receberam o nome de bissextos.

A origem da denominação bissexto está na forma de contar os dias romanos. Eles dividiam os meses em três partes, chamando aos dias que iniciavam cada uma dessas partes de calendas, nonas e idos, respectivamente. Datavam os dias em ordem inversa a partir desses dias iniciais que usavam como referência.
Como as calendas correspondiam ao dia 1 de cada mês, as calendas de março, por exemplo, eram a primeira referência após o dia 24 de fevereiro. Assim desde o dia 24/02 até o 01/03, ambos inclusive, há seis dias, pelo que o 24 de fevereiro era, para os romanos, “o sexto dia antes das calendas de março”, ou em latim: sextus kalendas martii; o 23 de fevereiro era, assim, o septimus kalendas martii. E, o dia intercalado entre o 23 e o 24 de fevereiro era o sexto bis, ou como chamavam os romanos: bissextus, donde procede o dia bissexto que mais tarde, por analogia, veio a designar o ano em que a referida intercalação ocorria.
Desta maneira, a Reforma Juliana estabeleceu o seguinte calendário:

Calendário da Reforma Juliana

Neste calendário introduz-se um dia extra a cada 4 anos; o ciclo de quatro anos é de 365 + 365 + 365 + 366 dias; o ano promédio é igual a 365, 25 dias, havendo um erro de + 11 minutos e 14 segundos.
Tendo César sido assassinado um ano depois de entrar em vigor o Calendário Juliano, a aplicação da reforma foi mal interpretada pelos magistrados encarregados de intercalar os anos bissextos, os quais, em vez de considerar como bissextos os anos 1, 5, 9...da era Juliana — 45, 41, 37 a.C. da nossa contagem — consideraram outros, como os anos 45, 42, 39...
No ano 9 a.C., o erro foi corrigido pelo imperador Augustus, suprimindo o caráter bissexto dos anos 5 e 1 a.C. e do ano 4 d.C., anulando por esta maneira os três dias contados a maior naquele intervalo de tempo.
Ao ano 9 a.C. correspondia que fosse bissexto, tanto pela contagem correta como pela contagem dos magistrados. Assinala-se que, desde a reforma juliana até essa data (9 a.C.) tinha que se registrar 10 anos bissextos, mas haviam sido registrados 13.
A partir do ano 53 da era Juliana — 8 d.C. — foram intercalados regularmente, a cada quatro anos, o que resultou, a partir de então, que os anos múltiplos de quatro da nossa era fossem bissextos.
O pequeno erro de 11 minuto e 14 segundos que excede ao ano trópico, para que chegue a valer um dia, leva aproximadamente 128 anos, o que acarreta pouca diferença, mesmo no espaço de várias gerações. Todavia, tal diferença começa a pesar com o transcurso dos séculos.

VII. A Reforma Gregoriana

No Concílio de Nicéia, ocorrido no ano 325 d.C., observou-se que aquele erro de 11 minutos e 14 segundos estava ocasionando uma discrepância de três dias em relação ao ano astronômico. Desta forma, a chegada real da Primavera — equinócio de Primavera — estava acontecendo três dias antes da que estava assinalada no calendário.
Não obstante, em vez de corrigir a causa da defasagem, os conciliares limitaram-se a adiantar a data do equinócio da Primavera de 25 para 21 de março, estabelecendo tal data em caráter permanente, com a finalidade de determinarem sem erro o dia da Páscoa da Ressurreição, base do calendário eclesiástico.
O dia da Páscoa define-se como o Domingo seguinte à primeira Lua cheia que coincida com, ou seja posterior, ao equinócio de Primavera. Daí porque a importância que a igreja dava à determinação desse evento.
Mal comparando, o que fizeram em Nicéia foi acertar o relógio que adianta, sem mexer no seu mecanismo. 1177 anos mais tarde, quando Colombo chegava à América, o equinócio de Primavera estava ocorrendo no dia 12 de março, acumulando-se mais de 9 dias de erro.
A necessidade de reformar o calendário, no entanto, já se fazia sentir há muito tempo. Na busca de uma solução, submeteu-se a exame vários trabalhos de astrônomos cristãos para retificação do calendário, em resposta a uma espécie de concurso público proposto pelo Papa. Venceu tal concurso Luís Lílio, um médico e astrônomo calabrês, cujo trabalho foi apresentado postumamente por seu irmão Antônio, cuja aprovação ocorreu em bula pontifícia.
Como em 1582 já se acumulara um erro de dez dias entre o ano civil e o astronômico, o Papa Gregório XIII determinou que esses dez dias fossem suprimidos, saltando-se do dia 4 de outubro para o dia 15 do mesmo mês naquele ano. Todavia, uma vez corrigido o ano civil, era necessário tomar providências para se evitar o aumento daquela defasagem persistente, uma vez que não se modificara a duração do ano promédio da reforma juliana, nem tampouco a seqüência de três anos comuns e um bissexto então introduzido.
Levando-se em conta que o ano civil adiantava um dia inteiro a cada 128, 2 anos, devia adiantar-se 3 dias a cada quatro séculos, aproximadamente. Desta maneira, o problema apontado seria resolvido suprimindo-se esses três dias do referido período de tempo. Assim, com essa finalidade, concordou-se, como segunda medida da reforma, a supressão do caráter bissexto de 3 dos 100 anos bissextos que estariam contidos no período de 400 anos. Isto é, em 400 anos, em vez de intercalar 100 dias, só se intercalaria 97. Os bissextos suprimidos correspondem ao último ano de cada século cujas duas primeiras cifras não fossem múltiplos de quatro. O ciclo, por essa fórmula, passou a ser de 400 anos = (303 x 365) + (97 x 366) = 146097 dias; enquanto o ano promédio ficou igual a 365,2425 dias. Ficou, ainda um erro diminuto de +26 segundos, mas este foi reduzido a apenas 4 segundos com a supressão do bissexto do ano 4000 e de seus múltiplos.
Desde que se implantou a Reforma Gregoriana, ocorreram quatro finais de século — XVI, XVII, XVIII e XIX — nos anos 1600, 1700, 1800 e 1900. Como 16 é múltiplo de 4, o ano 1600 teve 366 dias. Entretanto, como 17, 18 e 19 não o são, os anos 1700, 1800 e 1900, que teriam que ser bissextos pelo calendário juliano, não o foram em virtude da aplicação da segunda regra da Reforma Gregoriana. O último ano do século XX, o ano 2000, também será bissexto, pois, de novo, o número formado pelos dois primeiros algarismos, 20, volta a ser múltiplo de 4.
O Calendário Gregoriano foi aceito de imediato pela Espanha, por Portugal e por parte da Itália. Mas, logo veio a ser adotado pelos demais países, embora tenha levado mais tempo para ser aceito pelos países de religião protestante, como a Alemanha e a Suíça, que a adotaram em 1700, e a Inglaterra e a Suécia que aceitaram a mudança em 1752. A Rússia foi o país que mais custou a adotar a reforma Gregoriana, somente a aceitando em 1918, um ano depois da revolução socialista. Este é, assim, o calendário pelo qual nos orientamos hoje.


VIII. Outras Informações

1. A palavra calendário deriva de kalendarium do latim medieval, significando livro de conta, o qual por sua vez vem de kalendae, palavra traduzida para o português como calendas, isto é, o primeiro dia de cada mês, como vimos anteriormente no calendário romano, quando os juros das dívidas deviam ser pagos.
Vejamos a seguir uma comparação entre os vários Sistemas de Calendário:


GREGORIANO (Nota 1) JUDEU
Janeiro 31........................ Tishri 30
Fevereiro 28...................... Heshvan 29
em anos bissexto 29 ou 30
Março 31......................... Kislev 29
ou 30
Abril 30......................... Tebet 29
Maio 31.......................... Shebat 30
Junho 30.......................... Adar 29
ou 30
Julho 31......................... Nisan (Nota 3) 30
Agosto 31........................ Iyar 29
Setembro 30....................... Sivan 30
Outubro 31....................... Tammuz 29
Novembro 30...................... Ab 30
Dezembro 31...................... Elul 29


MUÇULMAN........ HINDU(nota 5)

Muharram (Nota 4)30.............. Chait (Nota 6)(março-abril)
Safar 29........................ Baisakh(abril-maio)
Rabi I 30........................ Jeth(maio-junho)
Rabi II 29....................... Asarh(junho-julho)
Jumada I 30...................... Sawan(julho-agosto)
Jumada II 29..................... Bhadon(agosto-setembro)
Rajab 30......................... Ason(setembro-outubro)
Shaban 29........................ Kartik(outubro-novembro)
Ramadan 30....................... Aghan (novembro-dezembro)
Shawwal 29....................... Pus(dezembro-janeiro)
Dhul-Qadah 30.................... Magh(janeiro-fevereiro)
Dhul-Hijja 29.................... Phagun(fevereiro-março)
em anos bissexto 30

Nota 1. Os equinócios acontecem a 21 de março e a 23 de setembro, os solstícios em 22de junho e em 22 de dezembro.
Nota 2. Em anos bissexto Adar é seguido por Veadar, ou Adar Sheni, um mês intercalado de 29 dias.
Nota 3. Antigamente chamado Abib; o primeiro mês do calendário pós-exílico; às vezes chamado de primeiro mês do ano eclesiástico.
Nota 4. Atrasado pelas estações; o ano de Muhammadan é lunar e cada mês começa aproximadamente na lua nova; o ano 1 A.H. começou numa sexta-feira, 16 de julho de 622 d. C.
Nota 5. Um mês extra é inserido depois de todos os meses nos quais duas luas novas acontecem (uma vez em três anos). O mês intercalado tem o nome do que o precede.
Nota 6. Baisakh às vezes é considerado o primeiro mês do ano hindu.

2. Pelo Calendário Chinês, cujos anos são lunares, as celebrações do ano novo são de 19 a 21 de fevereiro.
Os chineses denominam os ciclos anuais por nome de animais, como os seguintes:

Rato
Boi
Tigre
Coelho
Dragão
Serpente
Cavalo
Cabra
Macaco
Galo
Cachorro
Porco


3. Os Dias da Semana:
Domingo
Inglês arcaico - sunnandaeg. O primeiro dia da semana dedicado ao sol.
Segunda-feira
Anglo saxão – Monandaeg. O segundo dia da semana. O dia da lua.
Terça-feira
O terceiro dia da semana
Quarta-feira
O quarto dia da semana. O dia de Woden ou o Dia de Odin. Os persas o tinham em alta conta porque a lua foi criada no quarto dia.
Quinta-feira
Em francês - Jeudi , isto é, o Dia de Júpiter. O quinto dia da semana.
O dia do deus THOR. Ambos, Júpiter e Thor eram deuses do trovão. A Quinta-feira às vezes foi chamada dia de tovão (em inglês – Thunderday)
Sexta-feira
O sexto dia da semana. Na antiga Roma, dies Veneris, dia de Venus. Sexta-feira foi considerada pelos escandinavos como o dia mais afortunado da semana, quando os casamentos aconteciam, mas foi considerado pelos cristãos como dia de azar porque foi o dia da crucificação.
Sábado
Anglo saxônio - Saeternes daeg, do latin Saturni dies, o dia de Saturno.

4. O Calendário judeu.
Este calendário data a Criação, fixada pelos judeus em 3.761 a. C., e consiste de 12 meses de 29 e 30 dias que se alternam, com um mês adicional de 30 dias interposto em anos intercalados — ditos embolísticos — para prevenir qualquer grande divergência dos meses do ano solar. Os 3º, 6º, 11º, 14º, 17º, e 19º anos do Ciclo Metônico são anos embolísticos.

5. O Calendário muçulmano.
Calendário usado em países islâmicos, cujas datas são contadas a partir de 16 de julho de 622 d.C., o dia de Hegira, isto é, o dia do vôo de Maomé de Meca para Medina, em 622. Consiste em 12 meses lunares de 29 dias 12 horas 44 minutos cada. Como resultado o ano muçulmano tem apenas 354 ou 355 dias. Um ciclo é de 30 anos.

IX. Curiosidades:
1. Quando a Inglaterra adotou o Calendário Gregoriano — pelo Ato de Chesterfields, em 1751 — em lugar do Calendário Juliano, 11 dia foram engolidos, saltando-se de 2 de setembro de 1752 para 14 setembro. Muitas pessoas pensaram que estavam sendo roubadas em onze dias, bem assim no pagamento de onze dias de trabalho. Houve, consequentemente, um grito popular: “Devolvam nossos onze dias!” , o que provocou uma grande comoção na sociedade inglesa.
2. Anno Domini, do latim, no ano de nosso Senhor Jesus Cristo. Este sistema de datar a partir do nascimento de Cristo foi introduzido pelo monge Dionisius Exiguus que viveu na primeira metade do século VI.
3. Luctus Annus, do latim, ano de luto. O período durante o qual é suposto que uma viúva permaneça solteira. Se ela se casa ante de nove meses da morte de seu marido, e uma criança eventualmente nasce nesse período, uma dúvida poderia surgir sobre sua paternidade.
4. Sabath, do hebreu, dia sagrado de descanso. É, em verdade, o sétimo dia da semana, que foi incorporado pelos antigos hebreus através do 4º Mandamento — Êxodo 20:8-11 — como um dia de descanso e adoração a Deus. O Domingo é, para os cristãos, o Dia do Senhor, sendo freqüentemente chamado, inadequadamente, por alguns, de Sabath. Para os muçulmanos, a Sexta-Feira é o dia semanal de descanso.
5. Sabatistas. Aqueles que observam o dia de descanso, geralmente o sábado, com exatidão excessiva, uma característica peculiar dos puritanos ingleses e escoceses, bem como daqueles que professam a religião adventista. Durante tal dia, é proibido qualquer tipo de trabalho ou de recreação.
6. Jornada de Sábado. É a jornada mencionada em Atos 1:12 — Então, voltaram para Jerusalém, do monte chamado Olival, que dista daquela cidade tanto como a jornada de um sábado. — na qual não era permitido pelos judeus exceder a distância entre a arca e a parte mais extrema do acampamento. Tal distância era de 2.000 côvados, aproximadamente 1.000 jardas, ou 914 metros. Surgiu da determinação contida em Êxodo 16:29 — Considerai que o SENHOR vos deu o sábado; por isso, ele, no sexto dia, vos dá pão para dois dias; cada um fique onde está, ninguém saia do seu lugar no sétimo dia. — pela qual é proibido viajar no Sábado sagrado. A distância calculada vem de Josué 3:4 — Contudo, haja a distância de cerca de dois mil côvados entre vós e ela (a Arca). Não vos chegueis a ela, para que conheçais o caminho pelo qual haveis de ir, visto que, por tal caminho, nunca passastes antes. — que estabelece a medida de 2.000 côvados entre a arca e as pessoas, quando eles viajavam pelo deserto. Como as suas tendas ficavam a essa distância da arca, lhes foi assegurado que eles poderiam caminhar, no máximo, esta distância, para que pudessem chegar até o local de adoração.
7. Ano Sabático. Um ano em sete, quando a terra, de acordo com a lei Mosaica, devia descansar, nela não se semeando nada — Êxodo 23:10, Levítico 25: 2-7, Deuteronômio 15: 1-11 — O termo geralmente é usado em universidades e no mundo acadêmico para especificar um período de liberdade durante o qual o professor se dedica ao estudo ou a viajar.

X. Conclusão
Observamos que o ano promédio da Reforma Gregoriana gera um dia a mais no espaço de mais de três milênios — algo como 3.333 anos — aspecto que foi corrigido eliminando-se o caráter bissexto do ano 4000 e de seus múltiplos. Com essa correção, seria necessário que transcorressem 20.000 anos para que , de novo, o ano civil defasasse um dia do ano astronômico.
Entretanto, ao se utilizar de escalas de tempo tão grandes, não faz sentido falar de uma exatidão tão precisa, posto que, para intervalos de tempo dessa ordem, passam a ter significado outras variações que antes não se considerou, como a variação da velocidade de rotação da terra — que afeta a duração do dia solar médio — e da velocidade dos seus parâmetros orbitais — que afetam a duração do ano trópico.
Diante disso, poder-se-ia pensar que o Calendário Gregoriano é praticamente perfeito, carecendo, portanto, de sentido criticar a essência dele. Não obstante, tal calendário poderia ser otimizado, alcançando-se uma maior precisão com um menor número de correções. Este é o argumento do astrônomo persa Omar Kayyam (1050-1123) que defendia a idéia de se utilizar um período de 128 anos para suprimir o caráter bissexto. Isto é, em 128 seria necessário intercalar 31 dias em vez de 32. Com essa medida, se obteria um ano promédio de 365, 24218 dias, o que se traduziria numa defasagem de um dia a cada 50.000 anos, sem a necessidade de nenhuma outra correção.
O único inconveniente do modelo acima está no fato de que não há uma fórmula fácil de se determinar qual o ano bissexto suprimido.

XI. Referências Bibliográficas

COOGAN, Michel. The Oxford Companion to the Bible. Oxford University Press, New York, 1993.
JÚNIOR, José L. Bíblia 98. Bíblia Net, Versão em multimídia, Curitiba, 1998.
THOMPSON, Frank C. Bíblia de Referência Thompson. Editora Vida, São Paulo, 1996.
___________ Lira Espanhola. Site da Internet.

Pedro Corrêa Cabral

14 comentários:

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Sou pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, mestrando em Divindade (Magister Divinity), pelo CPAJ (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Sou também professor de História da Igreja, de Introdução Bíblica, e Cartas Gerais, na Escola Teológica Rev. Celso Lopes, em Maceió AL. Além disso, sou coronel-aviador da Força Aérea Brasileira, já reformado.

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